Abordagem Ecossistémica para a gestão da pesca da sardinha

Objetivo

Desenvolver um Plano de Gestão para a pesca do cerco alinhado com as diretrizes da Política Comum da Pesca e da Diretiva Quadro da Estratégia Marinha, assente nos princípios de sustentabilidade dos recursos pesqueiros, de revitalização da biodiversidade do habitat pelágico e de exploração otimizada considerando a rentabilidade económica do setor.

Sobre o Projeto

Dado o estado de conservação do stock ibérico de sardinha, considerado em mau estado ambiental na última avaliação da DQEM, devido a recrutamentos tão baixos como os mínimos históricos, reconheceu-se a necessidade de aprofundar o conhecimento científico relativamente à biologia e ecologia desta espécie e das espécies que com ela interagem e são exploradas conjuntamente pela pesca do cerco. Em particular, estudar a influência das condições ambientais e das pressões antropogénicas (incluindo a pesca) nas espécies e no ecossistema de modo a diminuir a incerteza nas previsões da abundância e optimizar a exploração dos recursos, minimizando, em simultâneo, o impacto negativo das pressões sobre a biodiversidade dos habitats costeiros, em particular nas áreas preferenciais de “nursery” e desova dos peixes pelágicos. Estes últimos aspetos constam de várias Directivas europeias, além da PCP, de que se destacam a Europa 2020 e a Directiva Quadro da Estratégia Marinha (DQEM).

Objetivos específicos

  • Identificar as variáveis ambientais discriminantes para a biologia, distribuição, abundância e recrutamento dos peixes pelágicos costeiros (sardinha, carapau, cavala e biqueirão) e desenvolver modelos que permitam estudar e prever essa influência;
  • Determinar taxas de mortalidade, de crescimento e de reprodução da sardinha em função da variação de variáveis oceanográficas, da disponibilidade alimentar, da interação trófica e da influência de parasitas e poluentes, que serão utilizados para parametrizar os diversos modelos;
  • Determinar a distribuição, identidade e conectividade das populações numa perspetiva multiespecífica e ecossistémica e desenvolver modelos do ecossistema para avaliar o impacto das relações inter-específicas e da pesca na dinâmica conjunta dos stocks de peixes pelágicos;
  • Caraterizar as componentes sociais, económicas e biológicas da pesca do cerco e da indústria conserveira e avaliar a interação e influência mútua entre as várias componentes;
  • Avaliar os stocks e determinar pontos biológicos de referência para as principais espécies da comunidade pelágica da costa Portuguesa, focando nas de maior importância para a pesca do cerco, como a cavala e o biqueirão.

Ações do Projeto

Habitat e Ciclo de Vida

A variabilidade das condições oceanográficas, tal como a temperatura, salinidade, correntes e disponibilidade alimentar, são considerados os principais fatores que influenciam a dinâmica das populações de pequenos pelágicos, afetando a sobrevivência e dispersão larvares e ainda o potencial reprodutivo dos adultos. É necessário um conhecimento mais aprofundado dos mecanismos que governam essas flutuações de forma a poder contribuir para uma gestão efetiva das unidades populacionais Ibéricas de peixes pelágicos, em particular da sardinha.

A2. Ambiente físico & produtividade

Identificar as variáveis ambientais mais importantes para a dinâmica de pequenos pelágicos e obter séries temporais de dados ambientais que permitam modelar e prever essa influência.

A3. Mortalidade natural

Obter taxas de mortalidade das várias fases de desenvolvimento (de ovos a adultos) dos peixes pelágicos em função da variação de parâmetros oceanográficos, de disponibilidade alimentar, de predação e de contaminantes.

A4. Crescimento e Reprodução

Estudar o efeito da variação das variáveis ambientais consideradas mais relevantes no crescimento e reprodução de peixes pelágicos.

Dinâmica Populacional e Pescas

Para poder desenvolver um plano bio-económico e multi-específico para a gestão da pesca do cerco é necessário determinar a distribuição e avaliar a abundância das várias espécies exploradas, identificar sincronias e alternâncias e avaliar o seu impacto tanto em termos do emprego como de rendimento das empresas. É também preciso perceber como é que a componente social e económica afeta a componente biológica e vice versa. Conhecer as sincronias e os fatores que as determinam permitirá fazer previsões que ajudarão a pesca e indústria a adaptar os seus padrões de exploração e maximizar o seu rendimento.

A5. Abundância, Distribuição e Conectividade

Melhorar as estimativas das espécies pelágicas das campanhas acústicas numa perspectiva ecossistémica. Determinar a influência de fatores ambientais na distribuição, abundância e estrutura da comunidade pelágica. Estudar a conetividade das populações de sardinha e re-avaliar a identidade das unidades populacionais Atlânticas.

A6. Actividade da Pesca e Produção

Melhorar o conhecimento sobre as componentes sociais, económicas, tecnológicas e biológicas da pesca do cerco e da indústria conserveira associada e compreender a interação entre as várias componentes. Colaborar com o setor da pesca na validação de dados, implementação de experiências a bordo de embarcações comerciais, discussão da viabilidade de medidas técnicas.

A7. Dinâmicas das Populações e Ecossistema

Avaliar os stocks das principais espécies pelágicas da costa Portuguesa, utilizando abordagens e modelos apropriados à biologia e qualidade dos dados disponíveis para cada espécie. Para a sardinha, espécie com boa monitorização biológica, avançar na modelação populacional incorporando efeitos ambientais e dinâmica.

A8. Modelos e Planos de Gestão

Desenvolver um Plano de Gestão para a pesca do cerco alinhado com as diretrizes da atual PCP, assente nos princípios de sustentabilidade dos recursos pesqueiros, da exploração otimizada considerando a captura máxima sustentável e a rentabilidade económica do setor e com reduzido impacto ao nível do ecossistema. Estimar Pontos Biológicos de Referência (PBR), guias fundamentais para avaliar a performance de regras de exploração que venham a ser selecionadas na sequência da interação com os stakeholders. Desenvolver um modelo bio-económico de exploração óptima do recurso que permitirá o desenho de novas regras de exploração considerando simultaneamente a rentabilidade económica da atividade e a sustentabilidade da população.

Equipa

Ana Moreno

Coordenação Geral

Coordenação A5

Susana Garrido

Co-coordenação Geral

Coordenação Habitat & Ciclo de Vida

Alexandra Silva

Co-coordenação Geral

Coordenação Dinâmica Populacional e Pesca

Manuela Azevedo

Coordenação Modelos e Planos de Gestão

Cristina Nunes

Co-coordenação A4

Laura Wise

Co-coordenação A7

Hugo Mendes

Co-coordenação A7

Ana Costa

A4

Ana Machado

A2

Andreia V. Silva

A4, A5

Clara Lopes

A3

Diana Feijó

A6, A5

Dina Silva

A4, A5

Elisabete Henriques

A4, A5

Isabel Meneses

A4, A5

Joana Raimundo

A3

João Pastor

A5

Joaquim Parente

A6

Maria Manuel Angélico

A2, A5

Miguel Caetano

A3

Paula Ramos

A3

Paulo B. Oliveira

A2

Pedro Amorim

A5

Pedro Pousão

A3, A4


Apoio Técnico

Pedro Conceição

Emanuel Pombal

Ana Luisa Ferreira

Delfina Morais

Carmo Nunes Silva

Jorge Barra

Raquel Milhazes

Lurdes Dias

Georgina Correia

Ana Mendes

Marisa Ferreira

Sara Castanho

Mª João Ferreira


Estudantes

Inês Caseiro Dias

A6

Marcelo Livramento

A3, A4

Pedro Fonseca

A3

Sónia Antunes

A3, A5


Parceiros

Renato Rosa

A6, A8

Cristina Pita

A6

Ana Marçalo

A6

Gonçalo Araújo

A6, A8

João Vaz Pato

A8

Artigos Científicos

Relatórios

Notícias

Reuniões

Contactos

IPMA, Instituto Português do Mar e da Atmosfera

Av. Alfredo Magalhães Ramalho, 6 1495-165 Algés, Portugal

(+351) 213 027 000

Ana Moreno – amoreno@ipma.pt

Susana Garrido – susana.garrido@ipma.pt

Alexandra Silva – asilva@ipma.pt